As 4 dinastias de Portugal: nomes e datas para o teste
Portugal teve quatro dinastias: a Afonsina (ou de Borgonha), de 1143 a 1383; a de Avis, de 1385 a 1580; a Filipina, de 1580 a 1640, com três reis que eram ao mesmo tempo reis de Espanha; e a de Bragança, de 1640 até 5 de outubro de 1910, quando a monarquia acaba e começa a República. Entre a primeira e a segunda ficam dois anos sem rei aceite por todos — a crise de 1383–1385.
É isto que vale a pena saber de cor, e cabe numa linha por dinastia. A lei da nacionalidade pede que o candidato conheça «a história e os símbolos nacionais», sem dizer que história; como estudar o tema inteiro está em história de Portugal para o teste, e o enquadramento geral da prova em o que é o teste de nacionalidade de 2026. Aqui fica o que essa página atravessa num salto: os quatro séculos entre a fundação e a Restauração, e o que veio depois até à República.
- Quatro dinastias: Afonsina, Avis, Filipina e Bragança — por esta ordem.
- Uma data por dinastia: 1143/1179 (fundação), 1385 (Aljubarrota), 1580 (rei de Espanha no trono português), 1640 (Restauração).
- A monarquia acaba a 5 de outubro de 1910; desde então Portugal não tem rei.
- Cada dinastia tem mais de um nome — e as perguntas de escolha múltipla usam qualquer um deles.
| Dinastia | Outros nomes | Começa | Acaba | Data a guardar |
|---|---|---|---|---|
| 1.ª Afonsina | de Borgonha | 1143 (Zamora) / 1179 (bula papal) | 1383, morte de D. Fernando | 1143 / 1179 |
| 2.ª Avis | Joanina | 1385, aclamação de D. João I | 1580, morte do cardeal-rei D. Henrique | 14 de agosto de 1385, Aljubarrota |
| 3.ª Filipina | de Habsburgo, de Áustria | 1580, Filipe II de Espanha | 1640 | 1580 |
| 4.ª Bragança | Brigantina | 1 de dezembro de 1640, D. João IV | 5 de outubro de 1910 | 1640 e 1910 |
Quais foram as dinastias de Portugal, e porque têm dois nomes?
Os nomes duplos são o primeiro sítio onde se perdem pontos. A primeira dinastia chama-se Afonsina por causa de Afonso Henriques, o primeiro rei, e de Borgonha por causa do pai dele, o conde D. Henrique, que vinha dessa casa francesa. A segunda chama-se de Avis porque D. João I era Mestre da Ordem de Avis antes de ser rei; «Joanina» também aparece, por causa do mesmo João. A terceira é Filipina pelos três Filipes, ou de Habsburgo (de Áustria, nos manuais mais antigos) pela família que reinava em Espanha. A quarta é a de Bragança, a casa ducal de onde saiu D. João IV.
Uma pergunta bem feita aceita qualquer destes nomes como o mesmo. Na prática, estude o par: se uma opção disser «dinastia de Borgonha» e outra «dinastia Afonsina», sabe que uma delas está lá para confundir, não que são duas dinastias diferentes.
A primeira dinastia: da fundação a 1383
A data de início tem duas respostas defensáveis — 1143, o Tratado de Zamora, e 1179, a bula Manifestis Probatum — e a diferença entre elas está explicada na página-mãe. Para esta página interessa o fim. D. Fernando morre a 22 de outubro de 1383 sem filho varão. A herdeira é a filha, D. Beatriz, casada com o rei de Castela — e o contrato de casamento deixava a coroa portuguesa ao alcance de Castela. A regência fica com a viúva, D. Leonor Teles.
É daqui que nasce a pergunta clássica sobre esta dinastia: não «quem foi o terceiro rei», mas «porque acabou». A resposta curta — um rei sem herdeiro varão e uma herdeira casada com Castela — é a que abre a porta à segunda dinastia.
1383–1385: os dois anos sem rei, e Aljubarrota
Entre a morte de D. Fernando e a aclamação de um novo rei, Portugal vive uma crise de sucessão com guerra pelo meio. Do lado de quem não queria o rei de Castela no trono estão o Mestre de Avis, filho ilegítimo de D. Pedro I, e o condestável Nuno Álvares Pereira.
Duas datas resolvem a crise. A 6 de abril de 1385, nas Cortes de Coimbra, o Mestre de Avis é aclamado rei como D. João I. A 14 de agosto de 1385, na batalha de Aljubarrota, o exército português derrota o castelhano, e a independência fica assegurada. O Mosteiro da Batalha foi construído em agradecimento por essa vitória — e é a forma mais fácil de fixar a data: Batalha, batalha, 1385.
Se só puder guardar uma coisa da segunda dinastia, guarde esta: começa com uma escolha das Cortes e uma vitória militar, não com uma herança pacífica.
A dinastia de Avis: dos Descobrimentos a Alcácer Quibir
É sob os reis de Avis que acontecem os Descobrimentos — Ceuta em 1415, a chegada de Vasco da Gama à Índia em 1498, a de Pedro Álvares Cabral ao Brasil em 1500. Como estudar esse período sem fronteira legal está na página-mãe; aqui basta saber em que dinastia cai, porque é uma das formas mais simples de perguntar por ele.
O fim é tão importante como o princípio. O rei D. Sebastião morre em 1578 na batalha de Alcácer Quibir, em Marrocos, sem filhos. Sucede-lhe o tio-avô, o cardeal D. Henrique, já idoso, que morre em janeiro de 1580 também sem herdeiros. Pela segunda vez, o trono fica sem sucessor óbvio — e desta vez o pretendente mais forte é o rei de Espanha.
1580–1640: três Filipes, e a armadilha da numeração
Filipe II de Espanha, neto de D. Manuel I pela mãe, torna-se rei de Portugal em 1580 e é aclamado nas Cortes de Tomar, em 1581, como Filipe I de Portugal. Seguem-se o filho e o neto. A coroa portuguesa e a espanhola ficam na mesma cabeça durante sessenta anos, mas Portugal continua a ser um reino distinto, com as suas leis e instituições — por isso os historiadores falam de «união das coroas» ou «união dinástica», e não de anexação.
A armadilha está nos números. Os mesmos três reis têm numeração diferente em cada país:
| Em Portugal | Em Espanha | Reina em Portugal |
|---|---|---|
| Filipe I | Filipe II | 1580–1598 |
| Filipe II | Filipe III | 1598–1621 |
| Filipe III | Filipe IV | 1621–1640 |
Numa pergunta portuguesa, conte à portuguesa: o rei de 1640 é Filipe III.
1 de dezembro de 1640: começa a dinastia de Bragança
A 1 de dezembro de 1640, um grupo de conjurados põe fim ao governo filipino em Lisboa, e o duque de Bragança é aclamado rei como D. João IV. O feriado desse dia tem um nome oficial que já é meia resposta: Restauração da Independência. A guerra com Espanha que se segue dura até 1668, quando Espanha reconhece a independência.
A dinastia de Bragança é a única cujo nome está escrito numa constituição. A Carta Constitucional de 1826 define o governo como «Monárquico, Hereditário e Representativo» e, logo a seguir, no seu artigo 5.º:
«Continua a Dinastia Reinante da Sereníssima Casa de Bragança na Pessoa da Senhora Princesa Dona Maria da Glória, pela Abdicação, e Cessão de Seu Augusto Pai o Senhor Dom Pedro I, Imperador do Brasil, Legítimo Herdeiro e Sucessor do Senhor Dom João VI.»
Repare no que a frase diz a quem vem do Brasil: o primeiro imperador brasileiro era um Bragança, filho de um rei de Portugal, e abdicou da coroa portuguesa na filha. A mesma família reinou dos dois lados do Atlântico.
Como acaba a monarquia em Portugal?
Em 1908, o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro são assassinados em Lisboa; sobe ao trono o filho mais novo, D. Manuel II. Dois anos depois, a revolução de 5 de outubro de 1910 implanta a República, e D. Manuel II parte para o exílio. Foi o último rei de Portugal.
A data está escrita na Constituição em vigor, que define a bandeira nacional como a adotada pela República «instaurada pela Revolução de 5 de Outubro de 1910». E a primeira Constituição republicana, de 21 de agosto de 1911, abre assim: «A Nação Portuguesa, organizada em Estado Unitário, adopta como forma de governo a República». Duas linhas depois, recusa «privilégio de nascimento» e extingue os títulos nobiliárquicos.
Por isso a pergunta «quem é hoje o rei de Portugal?» tem resposta curta: ninguém. O chefe de Estado é eleito — veja o que faz o Presidente da República.
Que perguntas sobre as dinastias são razoáveis de esperar?
Ninguém sabe ainda que perguntas de história terá a prova. O que se pode dizer é que tipo de pergunta é justo fazer sobre este período, porque tem uma só resposta certa e não depende de interpretação:
- a ordem das quatro dinastias;
- que dinastia começa em 1640 (Bragança) e qual acaba em 1580 (Avis);
- em que ano acaba a monarquia (1910);
- a batalha que confirma a independência em 1385 (Aljubarrota);
- o nome oficial do feriado de 1 de dezembro.
O que não vale a pena: a lista completa dos reis por ordem, os cognomes de cada um, datas de casamentos. Se quiser testar-se já, a pergunta «Que dinastia começa a 1 de dezembro de 1640?» está nas fichas de história, com as opções erradas que costumam confundir. E quando tiver as cinco datas desta página seguras, o simulador gratuito mostra-lhe em que tema está mais fraco.
Fontes
- Lei da Nacionalidade (Lei n.º 37/81), artigo 6.º, n.º 1, alínea c)
- Carta Constitucional de 29 de abril de 1826, artigos 4.º e 5.º
- Constituição Política da República Portuguesa de 21 de agosto de 1911, artigos 1.º e 3.º
- Constituição da República Portuguesa, artigo 11.º
- Lei n.º 8/2016, de 1 de abril (reposição do feriado da Restauração da Independência)
